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Segunda-feira, 13 mar 2023 - 10h40
Por Rogério Leite

Cientistas criam nova escala para medir os rios atmosféricos

Rios atmosféricos existem há muito tempo, mas à medida que os efeitos do aquecimento global se tornam mais frequentes e intensos tornou-se urgente medir seus volume e intensidades. Para isso, pesquisadores criaram uma nova métrica, similar à escala Saffir-Simpson que classifica os furacões de acordo com sua intensidade.

Nova escala pretende mensurar os possíveis impactos ou benefícios trazidos pelos rios atmosféricos.
Nova escala pretende mensurar os possíveis impactos ou benefícios trazidos pelos rios atmosféricos.

A nova escala de medições vem justamente quando um par de rios atmosféricos altamente caudalosos atinge a Califórnia, provocando pesadas inundações que devem continuar até a metade do mês de março de 2023.

A nova escala pretende mensurar a capacidade de transporte de umidade através dos rios atmosféricos e também sua duração, de modo similar ao que a escala Saffir-Simpson faz com os furacões. Ainda sem nome, a escala também possui cinco categorias, que vão desde AR-1, a mais fraca até a AR-5, a mais forte.

De acordo com o estudo, publicado pela União Geofísica Americana (AGU), a nova escala já está sendo utilizada em caráter experimental por alguns canais meteorológicos da Costa Oeste dos EUA. A ideia, segundo a AGU, é popularizar o termo "rios atmosféricos", uma vez que entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 a região da Califórnia observou níveis de transporte que atingiu o nível AR-4 da escala.


Rios Atmosféricos Intensos
No início de 2022, outro rio atmosférico de intensidade AR-5 atingiu o Paquistão, contribuiu para pesadas inundações. Pela nova escala, o nível AR-5 é classificação de rio atmosférico mais prejudicial e mais intenso.

Para os pesquisadores, a nova escala pode ajudar as comunidades a saber se um rio atmosférico trará benefícios ou causará caos. Como se sabe, tempestades podem trazer chuva ou neve muito necessária, mas se forem muito intensos podem causar inundações, deslizamentos de terra e falta de energia, como aconteceu no Paquistão ou recentemente na Califórnia.

Segundo F. Martin Ralph, cientista atmosférico ligado ao Scripps Institution of Oceanography, da Universidade de San Diego e um dos autores da nova escala, os rios atmosféricos são os furacões da Costa Oeste quando se trata da consciência situacional do público. "As pessoas precisam saber quando um rio atmosférico está chegando e ter uma noção da intensidade das tempestades para saber como se preparar. Esta escala é projetada para ajudar a responder a essas perguntas", disse o pesquisador.

Poderoso rio atmosférico cobre a Califórnia em 10 de março de 2023. O sistema despejou intensa quantidade de chuva durante grande parte do mês.
Poderoso rio atmosférico cobre a Califórnia em 10 de março de 2023. O sistema despejou intensa quantidade de chuva durante grande parte do mês.

Inicialmente, Ralph e seus colegas desenvolveram a escala otimizada para a costa oeste dos EUA, mas afirmaram que um novo estudo já demonstrou que os eventos atmosféricos dos rios podem ser comparados de maneira global, usando a mesma escala de intensidade.

Como o estudo foi feito
Os cientistas usaram dados climáticos de longo prazo e algoritmo desenvolvidos anteriormente para identificar e rastrear rios atmosféricos e então construíram um banco de banco de dados de eventos de rios atmosféricos classificados por intensidade em todo o mundo ao longo dos últimos 40 anos.

Para o cientista Bin Guan, coautor do trabalho junto ao Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, este estudo é o primeiro passo para tornar a escala atmosférica dos rios uma ferramenta globalmente útil para meteorologistas e planejadores de cidades. "Ao permitir mapear globalmente as assinaturas de cada nível de rio atmosférico, podemos começar a entender melhor os impactos sociais desses eventos em muitas regiões diferentes", explicou.

Resultados recentes
Durante as pesquisas, os autores descobriram que os rios atmosféricos mais intensos, categorizados em AR-4 e AR-5, são menos comuns do que os eventos mais fracos. E que os eventos AR-5 ocorrem apenas uma vez a cada dois ou três anos quando a média global é calculada. Os cientistas também concluíram que os rios atmosféricos mais intensos também têm menos probabilidade de atingir a costa e, quando isso acontece, é improvável que mantenham sua força por muito tempo e penetrem mais para o interior. "Os rios tendem se dissipar logo após desaguarem, deixando seus impactos mais sentidos nas áreas costeiras", disse Guam.

A modelagem atmosférica também encontrou quatro “centros” principais onde os rios de nível AR-5s tendem a morrer: no Pacífico Norte e Atlântico extratropical, Pacífico Sudeste e Atlântico Sudeste. Cidades costeiras ao longo desses pontos críticos, como São Francisco e Lisboa são as que têm maior probabilidade de testemunhar intensos AR-5 atingirem a costa.

Além disso, o estudo demonstrou que as latitudes médias em geral são as regiões com maior probabilidade de ter rios atmosféricos situados em qualquer nível.

Anos de El Niño mais intensos também revelaram ser mais propensos a ter mais rios atmosféricos e rios mais fortes. Segundo o estudo, esse ponto deve ser destacado uma vez que NOAA (Agência Atmosférica e Oceânica dos EUA) previu recentemente que uma condição de El Niño provavelmente se desenvolverá até o final do verão deste ano no hemisfério Norte.

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